Autor: Felipe

  • Escore corporal do cavalo: como saber se ele está no peso certo

    Olhar de longe engana, principalmente com pelagem longa ou cavalo bem musculoso. O toque nos pontos certos mostra a verdade. Neste guia você aprende a avaliar o escore de condição corporal (ECC) do seu cavalo e o que fazer com o resultado.

    Resumo rápido

    • O ECC usa uma escala de 1 a 9 e avalia a gordura em seis regiões do corpo.
    • Para a maioria dos cavalos, o ideal fica entre 4 e 6, variando conforme a modalidade e o trabalho.
    • Cavalo gordo demais preocupa tanto quanto magro demais: sobrecarrega articulações e aumenta o risco de laminite e de síndrome metabólica.
    • Fita de pesagem e apalpação, pelo menos uma vez por mês, dão um acompanhamento mais preciso.

    A escala de Henneke (1 a 9)

    EscoreSituação
    1 a 3Magro
    4 a 6Faixa ideal (em torno de 5)
    7 a 9Acima do peso

    Muita gente confia só na balança ou só na impressão visual. Nenhum dos dois basta: o olho se acostuma com o animal que vê todo dia, e pelagem longa ou barriga distendida pelo volumoso podem esconder a perda de músculo e o emagrecimento real. O escore verdadeiro exige apalpar pontos-chave do corpo.

    Os 6 pontos de apalpação

    A avaliação de Henneke direciona o toque para seis áreas onde o cavalo deposita gordura:

    1. Pescoço (crista): avalie a borda superior. Acúmulo excessivo e rígido de gordura (“crista caída”) indica risco maior de resistência à insulina.
    2. Cernelha: em animais muito magros, o osso fica saliente. No animal ideal, o contorno é suave e arredondado.
    3. Lombo: ao passar a mão pela coluna, você não deve sentir os ossos muito salientes, nem uma calha funda formada por gordura nas laterais.
    4. Base da cauda: sinta o tecido ao redor da inserção da cauda. Gordura macia e saliente indica excesso de peso.
    5. Garupa e quadril: a ponta do quadril deve ser percebida ao toque, mas não pontiaguda nem escondida sob uma camada grossa de gordura.
    6. Costelas: no peso ideal (escore 5), as costelas não são visíveis, mas são facilmente sentidas com leve pressão da palma da mão.

    O que fazer conforme o resultado

    Cavalo magro (escore 1 a 3)

    Antes de só aumentar a ração, investigue a causa do emagrecimento:

    • Dentes: pontas afiadas causam dor e atrapalham a mastigação do volumoso.
    • Vermes: verminose alta consome os nutrientes antes de o animal absorvê-los.
    • Qualidade do volumoso: pasto fraco ou feno sem valor nutritivo não mantém o peso.
    • Disputa no cocho: cavalos dominados no lote muitas vezes não conseguem comer no cocho comum.

    Cavalo acima do peso (escore 7 a 9)

    O excesso de peso é um fator importante para várias doenças graves nos equinos:

    • Sobrecarrega cascos, articulações e o sistema cardiorrespiratório durante o exercício.
    • Aumenta muito a predisposição à laminite e à síndrome metabólica equina (SME). Veja também: Laminite em cavalos: como evitar pelo manejo da pastagem.
    • A correção deve ser gradual: reduza o concentrado, aumente o exercício de forma orientada e use pastejo controlado. Nunca faça jejuns drásticos no cavalo.

    Atenção veterinária: perda de peso brusca, sem mudança no apetite, ou prostração repentina exigem avaliação clínica imediata. Podem indicar úlceras gástricas, parasitoses graves ou doenças renais e hepáticas.

    Crie uma rotina de acompanhamento

    Escolha um dia fixo do mês (por exemplo, todo dia 1º), meça o perímetro do tórax com a fita de pesagem, faça a apalpação dos 6 pontos e anote em uma caderneta. Uma foto lateral do cavalo, sempre com a mesma luz, ajuda a montar um histórico visual ao longo dos meses.

    Fita de pesagem equina

    Além da apalpação, a fita de pesagem ajuda a acompanhar o ganho ou a perda de massa mês a mês. Ela estima o peso aproximado a partir do perímetro do tórax, de forma rápida e simples. Ver a fita de pesagem na Amazon

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    Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário ou zootecnista. Dietas e suplementação devem ser calculadas por profissionais habilitados.

  • Casco do cavalo: a rotina diária de 5 minutos que evita grandes problemas

    Sem casco saudável não existe cavalo saudável. A boa notícia é que a maioria dos problemas dá sinais cedo para quem olha todo dia.

    Resumo rápido

    • Limpar e olhar os cascos todo dia leva poucos minutos e antecipa a maior parte dos problemas.
    • Mau cheiro, calor no casco, rachaduras e pulso forte perto do boleto são sinais de alerta.
    • Lama constante, esterco e umidade na baia são as principais portas de entrada para bactérias e fungos.
    • Casqueamento ou ferrageamento periódico é manejo sanitário, não capricho estético.

    O casco do cavalo é uma estrutura extraordinária: suporta centenas de quilos em velocidade, absorve o impacto no solo e ainda ajuda a bombear o sangue das extremidades de volta ao coração. Quando o casco adoece, toda a mecânica do cavalo é comprometida: ele anda com dor, transfere o peso para os outros membros, perde rendimento e pode perder o apetite.

    O perigo é que a maioria dos problemas começa de forma silenciosa: sujeira acumulada que favorece fungos, uma pedra presa na sola, uma fissura quase invisível. Quem dedica 5 minutos por dia a examinar cada pata identifica a alteração no início e evita tratamentos longos e caros.

    O que observar no casco

    • Ranilha (sapo): a estrutura em “V” no centro da sola. Deve ser firme e elástica. Se estiver mole, escura, se desfazendo ou soltando secreção preta, pode ser infecção (podridão da ranilha).
    • Sola e sulcos: os sulcos ao lado e no centro da ranilha acumulam pedras, lama e fezes. Limpe até enxergar a superfície real e procure pedras cravadas, que causam machucados.
    • Cheiro: odor forte e podre indica proliferação de bactérias e fungos, acelerada pela umidade.
    • Parede do casco: verifique rachaduras, lascas grandes ou separação da linha branca.
    • Temperatura e pulso digital: compare a temperatura dos quatro cascos com a palma da mão. Se um estiver claramente mais quente, ou se você sentir a artéria pulsar forte atrás do boleto, fique atento.
    • Ferraduras: verifique pregos frouxos ou tortos, ferradura folgada ou desgaste desigual.

    A rotina de 5 minutos

    1. Prender o cavalo em local seguro e firme.
    2. Levantar e limpar o casco, retirando barro, esterco e pedras com o limpador de casco.
    3. Olhar ranilha, sola e parede em busca de alterações.
    4. Sentir o calor e o pulso dos cascos e dos boletos.
    5. Anotar o que mudou em uma caderneta ou no celular.

    Limpador de casco com escova

    Para a rotina diária, um limpador de casco 2 em 1, com gancho de metal para remover barro e pedras e escova de cerdas firmes para varrer poeira e resíduos das fendas da ranilha, facilita o trabalho e evita ferir a sola. Ver o limpador de casco na Amazon

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    Umidade, lama e higiene das baias

    Cascos expostos o tempo todo à lama ou à cama úmida, com urina, amolecem rapidamente. A queratina da parede e da sola perde resistência, o que cria o ambiente ideal para bactérias que causam infecções graves e abscessos dolorosos.

    Por outro lado, o excesso de ressecamento deixa o casco quebradiço. O equilíbrio vem de manter a baia limpa e seca, oferecer pasto com boa drenagem e limpar os cascos todos os dias, removendo sujeira orgânica antes de recolher o animal à noite.

    Laminite é emergência: se o cavalo tiver casco muito quente, pulso digital forte e visível, relutância extrema em andar ou postura de jogar o peso para os membros posteriores, chame um médico-veterinário imediatamente. A laminite avança rápido e o diagnóstico precoce faz toda a diferença.

    Cronograma de manejo

    FrequênciaO que fazer
    Todo diaSentir a temperatura dos cascos, limpar com o limpador, remover lama e fezes e escovar a sola.
    Toda semanaConferir o alinhamento das ferraduras, pregos folgados e o surgimento de rachaduras.
    A cada 6 a 8 semanas (em média)Casqueamento profissional ou troca e alinhamento das ferraduras com o ferrador.
    Períodos chuvososRedobrar o cuidado com a drenagem dos piquetes e usar produtos indicados pelo veterinário.

    Mantenha sempre uma boa parceria entre o veterinário e o seu ferrador ou casqueador. O aprumo correto prolonga a vida útil das articulações e garante o melhor desempenho do cavalo, no campo ou na pista. Veja também: Laminite em cavalos: como evitar pelo manejo da pastagem.

    Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Vacinas, vermífugos e tratamentos devem ser orientados por profissional habilitado.