Categoria: Alimentação

  • Manejo de Potros: Aula Prática de Escovação, Limpeza dos Cascos e Horsemanship

    Aprenda a cuidar de potros no haras com calma, segurança e respeito ao comportamento natural do cavalo.

    O manejo de potros é uma das etapas mais importantes na criação de cavalos. Desde os primeiros contatos com o tratador, o animal começa a aprender a confiar nas pessoas, aceitar os cuidados diários e desenvolver comportamentos que serão fundamentais durante toda a vida.

    Escovar o pelo, limpar os cascos, colocar o cabresto e conduzir o potro até o piquete parecem atividades simples, mas precisam ser realizadas com atenção, conhecimento e respeito.

    Objetivo da aula: aprender uma sequência segura de aproximação, escovação, limpeza dos cascos, cabresto e soltura, observando sempre a reação do potro.

    1. O que é horsemanship?

    Horsemanship é uma forma de trabalhar com cavalos baseada na compreensão do comportamento, da comunicação e das necessidades naturais do animal. O objetivo não é simplesmente fazer o cavalo obedecer, mas desenvolver uma relação de confiança e cooperação.

    O cavalo é um animal de presa, naturalmente atento ao ambiente e preparado para fugir quando percebe algo que considera perigoso. Por isso, observe:

    • Posição das orelhas e movimentação da cabeça;
    • Tensão ou relaxamento do corpo;
    • Movimentação dos membros;
    • Reação quando alguém se aproxima;
    • Sinais de medo, desconforto ou tranquilidade.

    Princípio do horsemanship: observe antes de exigir. Trabalhe com calma, sem gritos, perseguições ou movimentos bruscos.

    2. Aproximação e primeiro contato

    Aproxime-se de maneira tranquila, pelo lado, na região do pescoço ou da paleta. Evite chegar correndo, surpreender o potro por trás ou agarrá-lo pela cabeça. Converse em voz baixa e observe a reação.

    • Não fique diretamente atrás do potro.
    • Evite se posicionar na frente dos membros dianteiros.
    • Não encurrale o animal sem necessidade.
    • Escolha um ambiente tranquilo, com espaço adequado.
    • Se houver medo intenso, interrompa e reorganize o manejo.

    O primeiro contato deve ser suficiente para que o potro perceba que sua presença não representa uma ameaça.

    3. Como escovar o potro

    A escovação ajuda a retirar sujeira, pelos soltos e poeira. Também permite observar a pele, identificar pequenos ferimentos e perceber alterações no corpo.

    Equipamentos básicos

    • Escova de cerdas macias;
    • Escova de cerdas médias;
    • Escova própria para crina e cauda;
    • Pano limpo;
    • Cabresto adequado, quando necessário.

    Passo a passo

    1. Pescoço: comece com escova macia e movimentos suaves.
    2. Paleta e dorso: acompanhe o sentido do pelo, sem pressionar demais.
    3. Laterais: observe a reação e faça pausas se o potro se afastar.
    4. Barriga: região sensível; não force o contato.
    5. Crina e cauda: desembarace cuidadosamente, começando pelas pontas e sem puxar.

    Atenção: não escove com força regiões com feridas, irritação, inchaço ou pele lesionada. Interrompa e procure orientação veterinária quando necessário.

    4. Limpeza dos cascos

    A limpeza dos cascos retira barro, pedras e resíduos presos, além de permitir observar alterações nos membros e nos cascos.

    Material

    • Limpador de casco apropriado;
    • Escova pequena;
    • Local firme e seguro;
    • Equipamentos de proteção adequados.

    Passo a passo

    1. Posicione-se próximo ao corpo, acompanhando os movimentos do potro.
    2. Observe se está tranquilo antes de levantar o membro.
    3. Peça o casco gradualmente; não force um membro que ele ainda não aceita.
    4. Retire barro e resíduos com cuidado, sem perfurar regiões sensíveis.
    5. Observe pedras, rachaduras, mau cheiro, sensibilidade ou ferimentos.
    6. Acompanhe o membro de volta ao chão; não solte de repente.

    A frequência da limpeza depende do ambiente, barro, piso e orientação do profissional responsável. A limpeza não substitui o acompanhamento de ferrador ou profissional especializado.

    5. Cabresto e condução

    O potro precisa aprender a aceitar o cabresto gradualmente. Não coloque à força e comece a puxar: isso pode gerar medo, resistência e acidentes.

    1. Apresente o cabresto e deixe o potro observá-lo.
    2. Aproxime o equipamento lentamente da cabeça.
    3. Quando estiver tranquilo, coloque um cabresto adequado ao tamanho e ajuste com segurança.
    4. Comece a condução em local calmo, com espaço.
    5. Use uma guia apropriada; nunca enrole a guia nos dedos ou nas mãos.

    Se o potro resistir, evite disputa de força. O treinamento deve ser progressivo e, especialmente com animais não treinados, conduzido por pessoa experiente.

    6. Soltura no piquete

    A soltura permite que o potro caminhe, explore o ambiente e interaja com outros animais. Antes de abrir a porteira, confira:

    • Cercas: firmes, sem arames soltos ou pontas perigosas.
    • Porteira: funcionamento seguro, sem espaços de fuga.
    • Pasto: adequado, sem plantas tóxicas, lama excessiva ou riscos.
    • Água: limpa e disponível.
    • Grupo: avalie os cavalos presentes, especialmente garanhões ou animais desconhecidos.

    Sequência de soltura

    1. Confira o piquete e os animais presentes.
    2. Escolha um momento tranquilo.
    3. Conduza o potro até a entrada com segurança.
    4. Abra a porteira de maneira controlada.
    5. Permita que ele entre sem empurrar ou assustar.
    6. Observe sua reação e a interação com os outros cavalos.

    Importante: não solte um potro desconhecido diretamente com um garanhão ou grupo sem avaliar compatibilidade e riscos. Pode ser necessário piquete separado, aproximação gradual ou supervisão do responsável.

    7. Observando a interação com outros cavalos

    Durante a introdução, observe se há mordidas, perseguição intensa, coices, ameaças constantes ou bloqueio do acesso à água. O espaço deve permitir que o potro se afaste sem ficar preso em um canto.

    Se houver agressividade intensa ou risco de ferimentos, interrompa a introdução e procure orientação do responsável. Nunca tente separar cavalos brigando colocando-se entre eles.

    8. Horsemanship na prática

    🐴 Paciência

    Cada potro tem seu ritmo. Alguns aceitam a escovação rapidamente; outros precisam de mais tempo.

    🔁 Consistência

    Use procedimentos semelhantes e evite mudar constantemente a forma de aproximar e conduzir.

    🤝 Respeito

    Não force um potro assustado a realizar algo que ainda não compreende.

    🛡️ Segurança

    Mesmo um potro manso pode se assustar. Mantenha atenção e espaço de fuga seguro para as pessoas.

    9. Erros comuns

    • Forçar a escovação e criar resistência ao contato.
    • Puxar o potro pelo cabresto ou arrastá-lo.
    • Levantar o casco sem ensinar a manipulação.
    • Soltar sem avaliar o piquete e os outros cavalos.
    • Ignorar sinais de medo, dor ou desconforto.

    10. Checklist diário

    • Observe o comportamento e a maneira de caminhar.
    • Confira pelo, pele e possíveis ferimentos.
    • Escove quando apropriado.
    • Limpe os cascos com segurança.
    • Confira o cabresto e a guia.
    • Verifique cerca, porteira, pasto e água.
    • Observe a interação com outros cavalos.
    • Informe o responsável sobre alterações.

    11. Potro recém-chegado

    Procure conhecer idade, origem, vacinação, vermifugação, alimentação, histórico de saúde e experiência com cabresto. Transporte e ambiente novo podem aumentar o estresse. Siga as orientações do responsável pela criação e do veterinário. Se houver suspeita de doença contagiosa, avalie o animal antes de compartilhar instalações ou contato direto.

    12. Alimentação, água e desenvolvimento

    Potros em crescimento precisam de dieta adequada à idade e ao desenvolvimento. Não altere a alimentação bruscamente. Concentrados, suplementos e minerais devem ser orientados por profissional. Observe se o potro consegue acessar alimento e água sem ser afastado por outros cavalos.

    13. Quando procurar o veterinário?

    Procure orientação veterinária se observar:

    • Claudicação ou dificuldade para caminhar;
    • Ferimentos importantes ou inchaço nas articulações;
    • Febre, falta de apetite ou diarreia;
    • Secreção nasal anormal ou alterações nos olhos;
    • Dor ao manipular os cascos;
    • Qualquer mudança importante de comportamento ou saúde.

    Não utilize medicamentos por conta própria. O veterinário poderá avaliar o potro e indicar o tratamento adequado.

    Conclusão

    O manejo de potros exige conhecimento, paciência e responsabilidade. Escovação, limpeza dos cascos, cabresto e soltura no piquete fazem parte de uma rotina segura quando são realizados respeitando o comportamento do animal.

    O horsemanship ensina que o cavalo precisa ser compreendido antes de ser conduzido. Um bom tratador observa, respeita os limites e desenvolve confiança em cada etapa.

    O segredo do bom manejo não é a força, mas a combinação de conhecimento, segurança, paciência e respeito.

  • Iniciação à Doma de Potros

    A iniciação à doma é o processo de apresentar ao potro, de forma gradual e segura, os cuidados e os sinais que farão parte da convivência com pessoas. O objetivo inicial é criar confiança, ensinar habilidades básicas no chão e preparar o animal para etapas futuras, respeitando sua idade, saúde e desenvolvimento.

    Princípio do horsemanship: observe o comportamento antes de pedir uma resposta. Um potro assustado ou desconfortável precisa de mais espaço, tempo e uma abordagem adequada — não de força.

    1. Primeiro contato: calma e observação

    Aproxime-se devagar, em local tranquilo, sem movimentos bruscos. Fale em tom baixo e permita que o potro perceba sua presença. Evite chegar por trás ou encurralá-lo. Observe as orelhas, o olhar, a postura e a tensão corporal. Se houver medo intenso, recue e peça apoio de um profissional experiente.

    2. Aceitação do toque

    Comece em regiões que o potro tolera melhor, como pescoço e paleta. Faça contatos breves e suaves e aumente gradualmente a área, sempre observando a reação. Não insista em tocar barriga, membros ou outras regiões sensíveis se o animal estiver desconfortável.

    3. Apresentação do cabresto

    Mostre o cabresto e deixe o potro cheirá-lo. Quando estiver tranquilo, introduza o contato com a cabeça e coloque o equipamento sem pressa. Use tamanho apropriado e ajuste seguro. Não deixe cabresto ou guia no potro solto sem supervisão, pois podem enroscar.

    4. Condução na guia

    Comece em uma área cercada, plana e sem obstáculos. Ensine pequenas caminhadas, paradas e mudanças de direção. Mantenha a guia organizada e nunca a enrole nas mãos. Não arraste nem dispute força com o potro; se ele resistir, interrompa e reveja a abordagem com um treinador.

    5. Trabalho de chão e dessensibilização

    O trabalho de chão desenvolve comunicação e equilíbrio. Apresente estímulos comuns — objetos, sons e movimentos — de forma controlada, a uma distância em que o potro ainda consiga permanecer calmo. Aumente a dificuldade em pequenos passos. Não use sustos deliberados nem force o animal a permanecer em pânico.

    6. Preparação para a sela

    A preparação para a sela só deve acontecer quando o potro estiver física e mentalmente preparado, com manejo básico consolidado e avaliação adequada. A idade por si só não determina prontidão. O processo deve ser conduzido por profissional qualificado, considerando crescimento, conformação, saúde e temperamento. Não coloque peso sobre um potro despreparado.

    7. Erros que devem ser evitados

    • Forçar o contato ou a condução.
    • Usar força em vez de paciência.
    • Colocar sela ou iniciar montaria antes da preparação.
    • Ignorar sinais de medo, dor ou estresse.
    • Trabalhar em ambiente escorregadio, apertado ou inseguro.
    • Comparar o potro com outros animais e acelerar seu aprendizado.

    Segurança: potros podem reagir rapidamente mesmo quando parecem mansos. Não fique diretamente atrás, não se ajoelhe junto aos membros e não tente conter sozinho um animal que esteja em pânico. Interrompa o manejo se houver risco e procure ajuda experiente.

    8. Checklist da iniciação

    • ☐ Potro saudável, descansado e em ambiente seguro.
    • ☐ Aproximação gradual e observação do comportamento.
    • ☐ Aceitação do toque sem sinais persistentes de medo.
    • ☐ Cabresto adequado e colocado corretamente.
    • ☐ Condução básica ensinada sem puxões.
    • ☐ Trabalho de chão progressivo e positivo.
    • ☐ Preparação para sela apenas quando estiver pronto.
    • ☐ Acompanhamento de profissional quando necessário.

    Conclusão

    A iniciação à doma é o começo de uma parceria. O progresso verdadeiro aparece quando o potro entende o que está sendo pedido e consegue responder sem medo. Respeite o ritmo individual, mantenha a segurança em primeiro lugar e procure orientação de um domador experiente para etapas que envolvam contenção, manejo difícil ou preparação para montaria.

  • Rédeas e Apartação

    Rédeas e apartação: uma aula prática

    As rédeas são um meio de comunicação entre cavaleiro e cavalo. Na apartação, essa comunicação ajuda a direcionar o cavalo enquanto o conjunto trabalha com o gado. A boa técnica depende de equilíbrio, sensibilidade, treino progressivo e respeito ao animal — não de puxões ou força excessiva.

    1. O que são rédeas?

    As rédeas permitem transmitir indicações de direção, ritmo e parada. Devem ser usadas junto com a posição do corpo, pernas e assento. O cavalo precisa aprender a responder a sinais claros e consistentes.

    Princípios básicos

    • Mantenha mãos estáveis e relaxadas.
    • Evite puxar continuamente.
    • Use sinais pequenos, claros e graduais.
    • Quando o cavalo responde, alivie a pressão.
    • Treine em ambiente seguro antes de trabalhar com gado.

    2. Tipos de rédeas

    • Rédeas de couro: tradicionais, duráveis e usadas em diferentes modalidades.
    • Rédeas de nylon: leves e práticas; confira sempre a qualidade e o ajuste.
    • Rédeas de borracha: podem oferecer aderência, dependendo do modelo.
    • Rédeas duplas: usadas em algumas modalidades e estilos de treinamento; exigem orientação adequada.

    Escolha o equipamento conforme a modalidade, o nível de treinamento e o conforto do cavalo. Verifique fivelas, costuras e desgaste antes de montar.

    3. Posição das mãos

    As mãos devem acompanhar o movimento do cavalo sem ficar rígidas. Evite cruzá-las, levantar demais ou baixar excessivamente. A posição correta varia com a modalidade e o equipamento; aprenda com um instrutor qualificado e mantenha contato leve e consistente.

    4. O que é apartação?

    A apartação é uma atividade de trabalho com gado em que cavalo e cavaleiro precisam identificar e separar um animal do rebanho, conduzindo-o de forma controlada. Exige leitura do gado, equilíbrio, atenção, agilidade e parceria entre cavalo e cavaleiro.

    Na apartação: planeje o movimento, mantenha distância segura do gado, não coloque o cavalo em situações acima de seu preparo e priorize o bem-estar dos animais.

    5. Como melhorar a técnica

    • Pratique primeiro em exercícios de chão e controle básico.
    • Treine direção, parada e transições em local fechado e seguro.
    • Desenvolva condicionamento físico gradualmente.
    • Observe vídeos educativos e, principalmente, pratique com instrutor experiente.
    • Respeite pausas, hidratação e sinais de fadiga.
    • Na apartação, comece com exercícios controlados e gado adequado ao nível do conjunto.

    6. Erros comuns

    • Puxar as rédeas com força ou de forma contínua.
    • Usar mãos muito altas ou muito baixas sem orientação.
    • Tentar controlar tudo apenas pelas rédeas.
    • Não aliviar a pressão quando o cavalo responde.
    • Treinar com gado ou em velocidade antes de dominar o básico.
    • Ignorar medo, dor, cansaço ou desconforto do cavalo.

    Segurança: use capacete apropriado, equipamento em boas condições e ambiente adequado. Apartação envolve riscos para cavaleiro, cavalo e gado. Não pratique manobras avançadas sem supervisão de profissional qualificado. Se houver dor, claudicação ou comportamento incomum, interrompa e procure avaliação veterinária.

    7. Resultado: parceria e precisão

    Rédeas bem utilizadas ajudam a construir comunicação, equilíbrio e movimentos mais precisos. Na apartação, o resultado vem da prática, da leitura do gado e da sintonia do conjunto. A técnica deve sempre caminhar junto com respeito, segurança e cuidado.

  • Laminite em cavalos: como evitar pelo manejo da pastagem

    A laminite (conhecida popularmente como “aguamento”) é uma das emergências médicas mais dolorosas na clínica de equinos. Trata-se de uma inflamação das lâminas sensíveis do casco, responsável por unir a falange distal (osso do pé) à parede córnea. Em casos graves, a perda desse suporte pode causar rotação ou afundamento do osso dentro do casco e levar à eutanásia do animal.

    Embora historicamente associada ao excesso de grãos na dieta, a causa mais frequente em animais mantidos a pasto é o consumo descontrolado de carboidratos não estruturais (CNE) presentes na própria forragem. Entender como esses açúcares se acumulam nas plantas e ajustar o manejo do rebanho é a chave para a prevenção.

    Emergência: cavalo com dificuldade para andar, apoiando-se para trás, com os cascos quentes e pulso forte nos membros precisa de atendimento veterinário imediato. Não espere melhorar sozinho.

    1. Como o excesso de açúcar do capim causa laminite

    As gramíneas produzem glicose pela fotossíntese e a armazenam como açúcares simples (como frutose e sacarose) e polímeros chamados frutanos. Juntos, esses compostos formam a fração dos CNE.

    O sistema digestivo do cavalo digere amido e açúcares simples no intestino delgado. Quando o animal consome muita forragem rica em CNE em pouco tempo, ocorre uma sequência de eventos:

    1. Sobrecarga do intestino delgado: a digestão enzimática é ultrapassada e o excesso de carboidratos segue para o intestino grosso (ceco e cólon).
    2. Fermentação desequilibrada: bactérias fermentadoras de amido e frutano proliferam e produzem muito ácido lático.
    3. Queda do pH intestinal: o ambiente fica ácido, bactérias nativas morrem e liberam toxinas na circulação.
    4. Inflamação das lâminas: as toxinas absorvidas alteram a circulação e ativam processos inflamatórios que destroem a ligação entre o osso e a parede do casco.

    Atenção: cavalos com síndrome metabólica equina (SME) ou disfunção da pars intermedia da hipófise (PPID/Cushing) têm resistência à insulina e são muito mais suscetíveis à laminite induzida por pastejo. Para esses animais, o controle precisa ser ainda mais rigoroso, com acompanhamento veterinário.

    2. O que aumenta o açúcar na pastagem

    A concentração de CNE no capim varia ao longo do dia e conforme o clima. O açúcar se acumula quando a planta produz mais do que gasta para crescer e respirar:

    CondiçãoCNE no capimPor quê
    Dias ensolarados com noites frias (abaixo de 10 °C)Extremamente altoO sol produz muito açúcar de dia, mas o frio da noite impede a planta de crescer e gastar a reserva.
    Tardes ensolaradas de primavera e outonoAltoAcúmulo da fotossíntese feita durante a manhã e o início da tarde.
    Pasto estressado por seca ou solo pobreAltoA planta para de crescer, mas continua guardando frutanos na base do colmo.
    Madrugada e início da manhãBaixoA planta consome as reservas de açúcar durante a noite.
    Dias nublados ou chuvososBaixo a moderadoA baixa radiação solar reduz a fotossíntese.

    3. Estratégias práticas de manejo

    A. Horário de pastejo

    Prefira soltar os cavalos no pasto do fim da noite ao início da manhã, quando o capim tem menos açúcar solúvel. Evite o fim da tarde, principalmente em dias ensolarados de primavera, para animais sensíveis.

    B. Altura do capim e pastejo raso

    Os maiores teores de frutano ficam guardados na base da planta. Evite o superpastejo: retire os animais do piquete quando o capim chegar a cerca de 8 a 10 cm, para que não consumam a parte mais rica em açúcar.

    C. Focinheira de pastejo

    A focinheira de pastejo reduz bastante o consumo de capim, permitindo que o cavalo continue se exercitando e socializando no piquete sem ingerir grandes volumes de forragem verde. O ajuste precisa ser correto, e o animal deve poder beber água livremente.

    Dica de transição: ao colocar cavalos em pastagem nova na primavera, faça a introdução de forma gradual, começando com cerca de 30 minutos por dia e aumentando 15 minutos a cada dois dias, para a flora intestinal se adaptar.

    D. Feno antes de soltar

    Ofereça feno de gramínea com baixo teor de carboidratos solúveis antes de soltar os animais. Um cavalo saciado come com menos pressa e voracidade o capim fresco.

    Conclusão

    O pasto é essencial para a saúde mental e o bem-estar dos cavalos, pois garante exercício e comportamento natural. O objetivo do manejo não é eliminar o acesso ao pasto, e sim controlar o horário, a altura do capim e as necessidades metabólicas de cada animal. Com essas estratégias e acompanhamento veterinário regular, é possível prevenir a laminite e dar mais longevidade aos cavalos da propriedade.

  • Controle da verminose em ovinos: como usar o método FAMACHA

    A verminose é o principal problema sanitário e econômico da criação de ovinos. Em regiões tropicais e subtropicais, o grande vilão dos rebanhos é o nematódeo Haemonchus contortus, um parasita que vive no abomaso (o quarto estômago) e se alimenta de sangue. A combinação do poder desse verme com o uso excessivo e incorreto de vermífugos nas últimas décadas criou um cenário crítico: a resistência dos parasitas a vários princípios ativos.

    Nesse cenário, vermifugar todo o lote em datas fixas deixou de ser uma boa estratégia. O método FAMACHA© é uma ferramenta de avaliação visual que ajuda a decidir quais animais realmente precisam de tratamento, sendo um pilar do manejo integrado de parasitas.

    Importante: a escolha do vermífugo, a dose e a frequência devem ser definidas com um médico-veterinário ou zootecnista que conheça o seu rebanho. Este texto é informativo e não substitui o acompanhamento profissional.

    1. O que o Haemonchus contortus causa no rebanho

    Cada verme adulto no abomaso consome cerca de 0,05 mL de sangue por dia. Em infestações grandes, com milhares de vermes, a perda diária de sangue pode ser grande. O resultado é uma anemia intensa e a redução das proteínas do sangue. Os sinais mais comuns são:

    • Palidez das mucosas (olho, vulva e boca);
    • Apatia e prostração: o animal pasta menos e fica fraco;
    • Edema submandibular (“papo inchado”): acúmulo de líquido embaixo da mandíbula;
    • Perda de condição corporal e crescimento lento dos cordeiros;
    • Morte súbita: principalmente em animais jovens ou em matrizes no fim da gestação e no pico da lactação.

    2. O conceito de refúgio

    O método foi desenvolvido na África do Sul por pesquisadores (Malan, Bath e van Wyk) e se baseia na ideia de refúgio.

    O que é refúgio? É a parte da população de parasitas que não é exposta ao vermífugo. Inclui as larvas infectantes (L3) no pasto, as larvas em pausa dentro do hospedeiro e os vermes adultos nos animais que não foram vermifugados.

    Se vermifugamos 100% do rebanho, os únicos vermes que sobrevivem e se reproduzem são os resistentes. Em poucas gerações, toda a população de vermes da fazenda fica resistente. Ao tratar apenas os animais que não suportam a carga de vermes, preservamos vermes sensíveis no ambiente. Eles cruzam com os resistentes, diluem os genes de resistência e prolongam a vida útil dos vermífugos.

    3. A escala FAMACHA© e a decisão de tratar

    O avaliador compara a cor da mucosa do olho do ovino com um cartão ilustrado, que tem cinco categorias de cor:

    GrauCor da mucosaHematócrito (VG) aproximadoAção indicada
    1Vermelho vivoNormal (acima de 27%)Não tratar.
    2Vermelho-rosado23% a 27%Não tratar. Monitorar periodicamente.
    3Rosa (limítrofe)18% a 22%Avaliar. Tratar apenas se houver fatores de risco (lactantes, animais idosos ou magros).
    4Rosa-pálido13% a 17%Tratar.
    5Branco12% ou menosTratar com urgência e dar suporte ao animal, sob orientação veterinária.

    4. Como avaliar o animal no campo

    Erros na técnica levam a diagnósticos incorretos. Siga estes passos:

    1. Contenção adequada: o animal deve estar em pé, em local bem iluminado com luz natural (evite sol direto no olho e sombra muito escura). Não avalie animais sob estresse térmico forte, pois a vasodilatação pode esconder a palidez.
    2. Posição dos dedos: coloque o polegar de uma mão sobre a pálpebra superior e o da outra mão sobre a pálpebra inferior.
    3. Exposição da mucosa: pressione suavemente o globo ocular com o polegar de cima e, ao mesmo tempo, puxe a pálpebra inferior para baixo, para que a mucosa interna fique visível.
    4. Comparação rápida: aproxime o cartão oficial da mucosa exposta e decida em poucos segundos, pois a exposição prolongada ao ar deixa a mucosa mais vermelha e altera o resultado. Avalie os dois olhos.

    Atenção: conjuntivite, poeira, corpo estranho ou infecções podem alterar a cor da mucosa, mesmo sem a presença de H. contortus. Sempre observe o animal e o rebanho como um todo.

    5. Outras ferramentas de manejo sanitário

    O FAMACHA© não deve ser usado sozinho. Combine com:

    A. Exame de fezes (OPG) e teste de eficácia

    O FAMACHA© avalia a anemia (o efeito no animal), enquanto o OPG (ovos por grama de fezes) mostra a contaminação do ambiente. Faça exames de fezes por amostragem e, uma vez por ano, o teste de redução da contagem de ovos nas fezes para saber se o vermífugo usado na propriedade ainda é eficaz (acima de 95% de redução).

    B. Manejo das pastagens

    A maior parte dos parasitas está no pasto, na forma de ovos e larvas, e só uma pequena parte dentro dos animais. As larvas infectantes ficam concentradas nos primeiros centímetros do capim, então evite o superpastejo e respeite a altura de entrada e saída dos piquetes. Animais adultos mais resistentes podem pastar primeiro nos piquetes contaminados, antes da entrada de cordeiros recém-desmamados.

    C. Nutrição

    A resposta do organismo contra os vermes exige proteína. Ovinos bem alimentados resistem melhor e mantêm a produção mesmo infectados. A suplementação antes e depois do parto ajuda a reduzir a queda de imunidade das fêmeas nesse período, quando elas eliminam mais ovos no ambiente.

    Conclusão

    O método FAMACHA© ajuda a tratar só quem precisa, a preservar a eficácia dos vermífugos e a reduzir gastos. Combinado com exame de fezes, manejo do pasto e boa nutrição, ele leva a criação de ovinos a um controle mais técnico e mais barato a longo prazo.

  • Anatomia do cavalo: ossos, músculos, casco e sistemas do corpo

    Compêndio de Medicina Veterinária

    Estudo detalhado dos sistemas anatômicos e da biomecânica do Equus caballus, integrando anatomia descritiva, funcional e correlações clínico-patológicas fundamentais para a medicina veterinária.

    Revisão: Anatomia comparada e biomecânica Classificação: Perissodactyla / Equidae Especialidade: Medicina de grandes animais

    1 Introdução, taxonomia e terminologia anatômica

    O cavalo doméstico (Equus caballus) é um mamífero ungulado da ordem Perissodactyla (ungulados de dedos ímpares). Sua evolução levou a uma adaptação biomecânica voltada à corrida de longa distância e à fuga de predadores em áreas abertas, com redução digital extrema: o apoio se dá sobre um único dígito funcional (o terceiro dedo), revestido por uma cápsula córnea, o casco.

    Planos e direções anatômicas equinas

    Para a navegação topográfica no corpo equino usa-se a nomenclatura anatômica veterinária internacional. Diferentemente da anatomia humana, os eixos de referência consideram o quadrúpede em estação:

    Eixo axial e tronco

    • Dorsal: em direção ao dorso/coluna vertebral.
    • Ventral: em direção ao abdômen/solo.
    • Cranial: em direção à cabeça.
    • Caudal: em direção à cauda.
    • Rostral: exclusivo da cabeça, em direção ao focinho.

    Membros

    • Proximal / distal: próximo ou distante do tronco.
    • Palmar: face posterior do membro torácico, abaixo do carpo.
    • Plantar: face posterior do membro pélvico, abaixo do tarso.
    • Axial / abaxial: em relação ao eixo central do dígito III.

    2 Sistema osseoesquelético e aparelho locomotor

    2.1 Esqueleto axial

    O esqueleto completo do equino adulto tem cerca de 205 ossos, com variação conforme o número de vértebras coccígeas. O esqueleto axial (crânio, coluna vertebral, costelas e esterno) sustenta as cavidades torácica e abdominal e funciona como uma ponte elástica que transmite à frente a força gerada pelos membros posteriores.

    RegiãoSímboloQuantidadeCaracterísticas notáveis
    CervicalC7Atlas (C1) sem corpo; áxis (C2) com processo odontoide longo; grande mobilidade lateral e vertical.
    TorácicaT18Processos espinhosos proeminentes (T3 a T8, aproximadamente, formam a cernelha); articulam com 18 pares de costelas.
    LombarL6 (raramente 5)Processos transversos longos e achatados dorsoventralmente; articulações intertransversas rígidas.
    SacralS5Fundidas, formam o osso sacro; articula com o ílio pela articulação sacroilíaca.
    Coccígea (caudal)Ca15 a 21Redução progressiva dos arcos e processos, até simples cilindros ósseos.

    2.2 Esqueleto apendicular

    O membro torácico (anterior) não possui clavícula e se liga ao tronco apenas por massa muscular e tendínea (sinsarcose), o que garante excelente absorção de impacto no galope e no salto. O membro pélvico (posterior) se articula diretamente ao esqueleto axial pela articulação sacroilíaca, favorecendo a transferência do impulso.

    Membro torácico (anterior)

    Escápula → úmero → rádio e ulna (fundidos) → carpo (7 a 8 ossos em 2 fileiras) → metacarpiano III (principal) e metacarpianos II e IV (ossos rudimentares, os “sobreossos”) → sesamoides proximais → falange proximal (P1) → falange média (P2) → falange distal (P3) e osso sesamoide distal (navicular).

    Membro pélvico (posterior)

    Pelve (ílio, ísquio, púbis) → fêmur (com trocânter terceiro longo) → patela e tíbia/fíbula → tarso (jarrete, 6 ossos) → metatarsiano III e metatarsianos acessórios → falanges (P1, P2, P3) e navicular.

    2.3 O dígito equino, o aparelho estático e a anatomia do casco (ungula)

    O aparelho estático (stay apparatus) é um arranjo biomecânico passivo de músculos, tendões e ligamentos que permite ao cavalo ficar em pé, descansando ou cochilando, com gasto de energia mínimo, ao “travar” articulações dos membros.

    Diagrama esquemático: aparelho estático e estrutura digital

    Esquema simplificado do dígito equino com tendões flexores e ligamento suspensor Metacarpo III P1 (quartela) P2 (coroa) P3 (osso do casco) TFDP (flexor digital profundo) TFDS (flexor digital superficial) Ligamento suspensor

    1. Trava da patela (membro posterior): a patela se encaixa sobre a crista medial da tróclea do fêmur e o ligamento patelar medial a mantém travada, bloqueando o joelho. Pelo aparato recíproco, o jarrete também fica travado.

    2. Ligamento suspensor (músculo interósseo médio): sustenta a articulação metacarpofalângica (boleto), impedindo a hiperextensão no apoio estático ou sob carga de galope.

    3. Ligamentos acessórios (check ligaments): o ligamento acessório superior (radial) e o inferior (carpal) ligam os tendões flexores ao osso, absorvendo tensão sem exigir contração muscular ativa.

    Esquema simplificado, sem escala anatômica.

    Anatomia do casco (ungula)

    A cápsula do casco é uma modificação epidérmica altamente queratinizada que envolve a falange distal (P3), o osso navicular e tecidos moles especializados. Suas estruturas principais:

    Estrutura externa
    • Parede (muralha): dividida em pinça, ombros, quartos e talões. Tem estrato externo (periópico), médio (túbulos córneos queratinizados) e interno (laminar).
    • Ranilha: estrutura central elástica em forma de cunha. Atua como bomba hemodinâmica ao comprimir a almofada digital durante o impacto.
    • Sola: superfície côncava ventral que protege os tecidos moles profundos.
    Estruturas internas e coxins
    • Cório (derme do casco): muito vascularizado e inervado. Divide-se em cório coronário, perióplico, solar, laminar e da ranilha.
    • Aparelho laminar: interdigitação microscópica entre lâminas epidérmicas (insensíveis) e dérmicas (sensíveis). Transfere a carga do esqueleto para a parede do casco.
    • Almofada digital: tecido fibroelástico rico em colágeno e adipócitos, que absorve e dissipa choques mecânicos.
    Alerta clínico
    Laminite equina (aguamento)

    Emergência grave em que há isquemia, inflamação e destruição das lâminas dérmicas e epidérmicas. Com a perda de coesão, a tração do tendão flexor digital profundo e o peso corporal podem rotacionar ou afundar a falange distal (P3) em direção à sola, chegando a perfurá-la. Suspeitou? Chame o médico-veterinário imediatamente.

    3 Sistema muscular e tendíneo

    A musculatura do cavalo é adaptada a explosões de força com metabolismo aeróbico e anaeróbico. Nos membros, os músculos proximais têm ventres concentrados perto do centro de gravidade e tendões de inserção muito longos, o que reduz o momento de inércia durante a oscilação do membro.

    Musculatura do pescoço e do dorso

    M. braquiocefálico: estende-se do crânio ao úmero. Avança o membro torácico e flexiona lateralmente o pescoço.

    M. trapézio e M. romboide: elevam a cintura escapular e posicionam o membro.

    M. longuíssimo do dorso (longissimus dorsi): o maior músculo do corpo. Estende a coluna e transmite a força de propulsão dos membros posteriores para a frente.

    Ligamento nucal: fita elástica potente (porções funicular e laminar) que sustenta o peso da cabeça sem gasto de energia muscular.

    Musculatura do membro torácico e do peitoral

    M. serrátil ventral: músculo em leque, essencial na suspensão do tórax entre as duas escápulas.

    M. tríceps braquial: potente extensor do cotovelo.

    M. ancôneo e M. bíceps braquial: estabilizam ombro e cotovelo. O bíceps tem componente fibroso (lacertus fibrosus) que participa do aparelho estático.

    Musculatura da garupa e do membro pélvico (propulsão)

    MM. glúteos (superficial, médio e profundo): o glúteo médio é muito desenvolvido e responsável pela extensão potente da articulação coxofemoral.

    Grupo posterior da coxa (semimembranoso, semitendinoso e bíceps femoral): forma o contorno da garupa e da coxa e gera impulso horizontal.

    M. quadríceps femoral: principal extensor do joelho.

    4 Sistema digestório (fermentador de intestino grosso)

    O cavalo é um herbívoro monogástrico não ruminante, adaptado ao consumo contínuo de forragens ricas em fibra. O trato gastrointestinal tem duas regiões funcionais: o foregut (boca, estômago e intestino delgado), voltado à digestão enzimática, e o hindgut (ceco e cólon), onde ocorre a fermentação microbiana contínua.

    4.1 Cavidade oral e odontologia equina

    Os dentes dos equinos são hipsodontes, de crescimento prolongado e erupção contínua, com dobras complexas de esmalte, dentina e cemento que trituram fibras vegetais abrasivas.

    Fórmula dentária do cavalo adulto
    Macho (40 a 42 dentes): 2 × [ I 3/3 | C 1/1 | PM 3(4)/3 | M 3/3 ]
    Fêmea (36 a 38 dentes): 2 × [ I 3/3 | C 0/0 | PM 3(4)/3 | M 3/3 ]

    Dente de lobo: primeiro pré-molar vestigial (PM1), presente na arcada superior de muitos cavalos. Costuma ser extraído por causar desconforto com o freio. Os caninos são típicos dos machos e, nas éguas, geralmente ausentes ou rudimentares.

    4.2 Esôfago e estômago

    O estômago do cavalo é pequeno para o tamanho do animal (cerca de 8 a 15 litros). O esfíncter do cárdia é muito musculoso e a entrada do esôfago é oblíqua, o que torna o vômito praticamente impossível no equino.

    Anatomia gástrica interna

    O estômago é dividido por uma linha nítida, a margo plicatus:

    • Região não glandular (escamosa): revestida por epitélio escamoso estratificado. É vulnerável à acidez porque não secreta muco protetor.
    • Região glandular: secreta ácido clorídrico, pepsina e muco protetor rico em bicarbonato.
    Esquema do estômago equino com a margo plicatus separando as regiões escamosa e glandular Zona escamosa Margo plicatus Zona glandular

    4.3 Intestino grosso e biomecânica da cólica

    O intestino grosso (ceco, cólon ascendente ou grande cólon, cólon descendente ou pequeno cólon e reto) ocupa a maior parte da cavidade abdominal, com capacidade superior a 100 litros. O ceco é uma grande câmara de fermentação de celulose por bactérias e protozoários, que produz ácidos graxos de cadeia curta (acetato, propionato e butirato), a principal fonte de energia do cavalo.

    Grande cólon e pontos críticos (cólica)

    O cólon ascendente forma uma dupla ferradura, com mudanças bruscas de diâmetro e direção (flexuras) que predispõem a compactações e torções. Em ordem de percurso:

    1. Cólon ventral direitoOrigina-se no ceco e segue ventralmente para a frente.
    2. Flexura esternalCurva de 180° que leva ao cólon ventral esquerdo.
    3. Flexura pélvicaEstreitamento brusco do diâmetro e dobra de 180°, rumo ao cólon dorsal esquerdo. Ponto crítico de compactação.
    4. Flexura diafragmática e cólon dorsal direitoO cólon dorsal direito tem grande dilatação antes de se estreitar bruscamente rumo ao cólon transverso e ao pequeno cólon.
    Atenção clínica
    Síndrome cólica (abdômen agudo equino)

    Como boa parte do cólon esquerdo não tem fixação mesentérica firme, ele pode sofrer deslocamentos (por exemplo, o deslocamento dorsal à esquerda sobre o ligamento nefroesplênico) e volvos (torções), que interrompem o suprimento de sangue e causam necrose rápida e choque endotóxico. Cólica é emergência: chame o veterinário.

    5 Sistema cardiorrespiratório

    5.1 Vias aéreas e bolsas guturais

    O cavalo é um respirador nasal obrigatório. O palato mole longo, posicionado sob a epiglote, impede a respiração pela boca, mesmo em esforço extremo ou desconforto respiratório.

    Bolsas guturais (divertículos das tubas auditivas)

    Característica marcante dos equídeos (ocorre em pouquíssimas outras espécies). São duas bolsas pareadas, cheias de ar, que se comunicam com a nasofaringe e comportam algumas centenas de mililitros cada. Em suas paredes ou no seu interior passam estruturas vitais:

    Vasos: artéria carótida interna, artéria carótida externa e artéria maxilar.
    Nervos: glossofaríngeo (IX), vago (X), acessório (XI), hipoglosso (XII) e tronco simpático.
    Nota clínica
    Micose da bolsa gutural e hemiplegia laríngea

    A infecção fúngica da bolsa gutural (por exemplo, Aspergillus spp.) pode corroer a artéria carótida interna e causar epistaxe grave, potencialmente fatal, além de lesar nervos cranianos e provocar disfagia.

    Já a hemiplegia laríngea (cavalo “roncador”) é a paralisia da cartilagem aritenoide por lesão do nervo laríngeo recorrente, mais frequente do lado esquerdo e de causa muitas vezes não identificada. Ela estreita a entrada de ar durante o exercício e produz ruído inspiratório. São doenças distintas.

    5.2 Fisiologia cardíaca e acoplamento locomotor-respiratório

    O coração de um cavalo de corrida pesa, em geral, de 4 a 6 kg. O débito cardíaco passa de cerca de 35 L/min em repouso para aproximadamente 300 L/min no exercício máximo.

    Acoplamento locomotor-respiratório

    No galope, a respiração é acoplada 1:1 à passada. Quando os membros dianteiros tocam o solo, a massa visceral desliza para a frente e empurra o diafragma cranialmente, forçando a expiração. Quando o corpo se projeta no ar, as vísceras recuam caudalmente e favorecem a inspiração.

    6 Sistemas urinário e reprodutivo

    Sistema urinário

    Os rins são assimétricos: o rim direito tem formato de coração e o esquerdo, de feijão alongado.

    A urina do cavalo é normalmente turva e viscosa, por causa dos cristais de carbonato de cálcio e do muco secretado pelas glândulas da pelve renal.

    Sistema reprodutivo

    Égua: os ovários têm formato de feijão e a ovulação ocorre em um único local, a fossa de ovulação, na borda côncava. O útero é bicorno, com corpo e cornos bem desenvolvidos.

    Garanhão: pênis do tipo musculocavernoso, com grande capacidade de ereção e expansão da glande (fossa da glande). Possui todas as glândulas acessórias: vesiculares, próstata, bulbouretrais e ampolas.

    7 Sistema nervoso e órgãos dos sentidos

    7.1 Visão e olho equino

    O olho do cavalo é um dos maiores entre os mamíferos terrestres. Por estar posicionado lateralmente, oferece um campo de visão total de cerca de 350°, com uma área binocular de aproximadamente 65° à frente. Há dois pontos cegos principais: diretamente atrás da garupa e logo à frente e abaixo do focinho.

    Pupila horizontal e corpora nigra

    A pupila em fenda horizontal favorece a varredura do horizonte. As corpora nigra (grânulos irídicos) são projeções pigmentadas na borda da íris que funcionam como uma “viseira” contra a luz intensa.

    Tapetum lucidum e visão noturna

    Camada reflexiva atrás da retina que amplifica a luz disponível e favorece a visão em baixa luminosidade. Em compensação, a acuidade visual e a percepção de cores (dicromática, faixas do azul e do verde-amarelo) são menores que as dos primatas.

    7.2 Audição e tato facial

    As orelhas são movimentadas por mais de uma dezena de músculos auriculares e giram de forma independente, cobrindo cerca de 180°. As vibrissas ao redor dos lábios e dos olhos são órgãos táteis com rica inervação do trigêmeo e ajudam o cavalo a “enxergar com o focinho” no ponto cego à frente do rosto.

    Para aprofundar

    Este artigo resume a arquitetura biológica do Equus caballus. Entender a anatomia é a base para o diagnóstico clínico, para a cirurgia, para o bem-estar e para o desempenho do cavalo atleta.

    • Dyce, Sack & Wensing. Textbook of Veterinary Anatomy.
    • König & Liebich. Anatomia dos Animais Domésticos.
    • Budras, Sack & Röck. Anatomy of the Horse.
    • Ross & Dyson. Diagnosis and Management of Lameness in the Horse.

    Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Em caso de cólica, laminite ou qualquer sinal de dor, procure atendimento imediatamente.

  • Criação de ovinos: instalações, nutrição, sanidade e reprodução

    A ovinocultura é uma atividade versátil e, por ter um ciclo biológico mais curto que o dos bovinos, costuma dar retorno mais rápido. O sucesso, porém, depende de planejamento antes da chegada dos primeiros animais. Neste guia você encontra os pontos principais: raças, instalações, nutrição, sanidade, reprodução, parto e indicadores.

    Importante: calendário de vacinas, vermífugos e doses variam conforme a região e o rebanho. Defina o seu plano com um médico-veterinário ou zootecnista. Este texto é informativo.

    1. Planejamento

    • Objetivo comercial: defina se a prioridade será carne (cordeiros precoces), venda de reprodutores, lã ou leite.
    • Recursos e clima: avalie solo, drenagem, relevo e a capacidade de suporte das pastagens na seca e nas chuvas.

    2. Escolha da raça

    A raça deve combinar com o objetivo de mercado e com o clima da região.

    RaçaTipoAptidãoCaracterísticas
    Santa InêsDeslanadaCorteNacional, rústica, prolífica e adaptada ao clima tropical.
    Dorper / White DorperDeslanada ou mistaCorte precoceBoa conformação de carcaça, ganho de peso rápido e boa eficiência alimentar.
    Morada NovaDeslanadaCorte e couroPorte pequeno a médio, rústica e resistente em regiões semiáridas.
    TexelLanadaCorte (cruzamentos)Carcaça magra e muscular, indicada para cruzamento industrial.

    3. Instalações

    Instalações bem planejadas reduzem o estresse, economizam mão de obra e diminuem perdas por doenças e predadores.

    • Aprisco elevado ou cama profunda: o piso ripado suspenso facilita a limpeza e evita o contato dos animais com as fezes. Em piso de terra, pode-se usar cama profunda tratada com cal.
    • Cercas: como os ovinos saltam e se esgueiram, use tela trançada (cerca de 1,20 m de altura) ou cerca elétrica bem esticada, com vários fios.
    • Cochos e bebedouros: dimensione em torno de 35 a 40 cm lineares de cocho por animal adulto, para reduzir disputas. A água deve ser limpa e sempre disponível.

    4. Nutrição

    A alimentação costuma ser a maior parte do custo de produção. A base da dieta é o volumoso de qualidade (pastagem, feno e silagem), complementado conforme a categoria animal.

    Cuidado com o cobre: os ovinos são muito sensíveis ao acúmulo de cobre no fígado. Nunca dê aos ovinos sal mineral feito para bovinos. Use apenas suplemento mineral específico para ovinos.

    5. Vacinas e cuidados com os cascos

    O manejo sanitário preventivo evita surtos com alta mortalidade. Um esquema comum, que deve ser confirmado com o veterinário da sua região:

    Vacina / situaçãoPara que serveEsquema geralmente usado
    Clostridioses (polivalente)Protege contra carbúnculo sintomático, gangrena, tétano e outras.Cordeiros: primeira dose por volta dos 60 dias e reforço cerca de 30 dias depois. Adultos: anual.
    Matrizes prenhesPassa anticorpos para o cordeiro pelo colostro.Reforço de clostridiose cerca de 30 a 45 dias antes do parto.
    Ectima contagioso e raivaPrevenção conforme a região.Conforme recomendação veterinária, em áreas com ocorrência.

    Cascos: a pododermatite (frieira ou podridão do casco) causa claudicação intensa e queda no consumo de alimento. Faça o casqueamento preventivo e, quando indicado pelo veterinário, o pedilúvio periódico.

    6. Controle de verminose

    A verminose gastrointestinal, causada principalmente pelo verme que se alimenta de sangue, Haemonchus contortus, é a maior ameaça à criação de ovinos. Vermifugar todo o rebanho “no escuro” favorece a resistência dos parasitas. O método FAMACHA© avalia a anemia pela cor da mucosa do olho (graus 1 a 5) e indica quais animais realmente precisam de tratamento: em geral, graus 4 e 5, e o 3 quando o animal está magro ou em fase de risco.

    Veja o passo a passo completo em Controle da verminose em ovinos: como usar o método FAMACHA.

    7. Reprodução

    O carneiro responde por metade da genética do rebanho, então garantir sua fertilidade é essencial para a estação de monta.

    • Gestação: cerca de 150 dias.
    • Cio da ovelha: ocorre aproximadamente a cada 17 dias e dura cerca de 30 horas.
    • Proporção: em monta natural, um carneiro adulto atende em média de 25 a 30 ovelhas.
    • Exame andrológico: avaliação do pênis, dos testículos e da qualidade do sêmen antes da estação de monta.

    8. Parto e cuidados com os cordeiros

    A fase do nascimento exige atenção para reduzir a mortalidade de cordeiros.

    1. Cura do umbigo: logo após o nascimento, desinfete o cordão umbilical com solução de iodo, repetindo nos primeiros dias, para evitar infecções e miíases (bicheira).
    2. Colostro: o cordeiro deve mamar o colostro nas primeiras horas de vida (de preferência nas primeiras 6 horas) para receber as defesas da mãe.

    9. Creep-feeding e terminação

    O creep-feeding é um cocho exclusivo para os cordeiros ainda mamando, em uma área onde as mães não entram. Suas vantagens:

    • Permite antecipar o abate dos cordeiros;
    • Aumenta o ganho de peso diário;
    • Reduz o desgaste nutricional da ovelha durante a lactação.

    10. Gestão e indicadores

    Uma criação profissional precisa de controle de dados zootécnicos e financeiros. Valores de referência usados como meta (variam conforme o sistema de produção):

    IndicadorMeta de referência
    Taxa de prenhezAcima de 85%
    Prolificidade (cordeiros por parto)Acima de 1,3
    Mortalidade de cordeirosAbaixo de 5%
    Ganho de peso na terminaçãoEm torno de 300 g por dia
  • Crie seu cavalo: jogo de cuidados e guia do que é real

    Cuidar de um cavalo de verdade: o que o jogo ensina (e o que ele não mostra)

    Se você acabou de cuidar do seu cavalo virtual, deve ter percebido que não basta encher a barrinha de ração. Na vida real é igual: o cavalo precisa de equilíbrio entre alimentação, água, movimento e descanso. Neste artigo, explicamos os principais cuidados que o jogo representa.

    1. Fibra vem primeiro: o pasto e o feno

    O sistema digestivo do cavalo foi feito para receber alimento pouco a pouco, durante boa parte do dia. Por isso, a base da dieta é sempre o volumoso: pasto de qualidade e feno. A ração concentrada entra como complemento, conforme a necessidade de cada animal.

    • Como regra geral, o volumoso deve ser a maior parte do que o cavalo come por dia.
    • Longos períodos sem comer aumentam o risco de problemas digestivos e de úlceras gástricas.
    • Mudanças bruscas de alimento devem ser feitas de forma gradual, ao longo de dias.
    No jogo: é por isso que dar só ração faz a fibra despencar e pode causar cólica.

    2. Cólica: o maior susto do criador

    Cólica é o nome dado a dores abdominais no cavalo, e pode ter várias causas: alimentação inadequada, pouca água, mudanças de rotina, parasitas e outras. Alguns sinais comuns:

    • Olhar para o flanco ou morder a barriga;
    • Pisotear, cavar o chão ou deitar e levantar várias vezes;
    • Suor sem motivo, falta de apetite e pouca ou nenhuma fezes.

    Na vida real, não existe “botão de remédio”. Diante de qualquer suspeita de cólica, chame imediatamente o médico-veterinário e não dê medicamentos por conta própria.

    3. Água limpa e sempre à disposição

    Um cavalo adulto pode beber dezenas de litros de água por dia, dependendo do clima, da alimentação e do esforço. O bebedouro deve estar sempre limpo e com água fresca. Pouca água é uma das causas que favorecem problemas intestinais.

    4. Treino com inteligência

    No jogo, treinar com pouca energia faz o cavalo colapsar. Na prática, o raciocínio é o mesmo: o trabalho deve ser progressivo, com aquecimento, intervalos e volta à calma. Esforço demais, sem preparo ou sem hidratação, causa lesões e cansaço excessivo.

    • Aumente a intensidade aos poucos;
    • Respeite o condicionamento físico de cada cavalo;
    • Observe sinais de cansaço, como respiração muito acelerada e perda de rendimento.

    5. Descanso e escovação também são cuidado

    Cavalos precisam de períodos de descanso e de tempo solto, de preferência convivendo com outros cavalos. Já a escovação, além de deixar a pelagem bonita, ajuda a criar vínculo e permite que você perceba cedo feridas, inchaços, carrapatos e mudanças no corpo do animal.

    6. O que o jogo não mostra

    • Vacinação e vermifugação em dia, conforme orientação do veterinário;
    • Casqueamento e ferrageamento periódicos;
    • Cuidado com os dentes, que influenciam diretamente a alimentação;
    • Equipamentos bem ajustados, como cabrestos, selas e embocaduras, para evitar machucados.
    Importante: este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Cada cavalo tem necessidades próprias de acordo com idade, peso, raça e rotina.

    Perguntas frequentes

    Cavalo pode comer só ração?

    Não. A dieta deve ser baseada em volumoso (pasto e feno). A ração é um complemento e a quantidade deve ser orientada por um veterinário ou zootecnista.

    Quantas vezes por dia o cavalo deve comer?

    O ideal é que ele tenha acesso ao volumoso durante a maior parte do dia. Quando há ração, ela costuma ser dividida em pequenas refeições, e não em uma só porção grande.

    O que fazer se meu cavalo estiver com sinais de cólica?

    Chame o veterinário na hora, retire o alimento e mantenha o animal em local seguro até a chegada do profissional. Não administre remédios sem orientação.

    O jogo serve para aprender sobre cavalos?

    Ele é uma forma divertida de entender a ideia de equilíbrio entre os cuidados, mas é uma simplificação. Para cuidar de um animal de verdade, busque sempre orientação profissional.

    Gostou do jogo? Compartilhe com quem ama cavalos e continue acompanhando o Trato Certo para mais dicas de cuidado e manejo equestre. 🐴

  • Escore corporal do cavalo: como saber se ele está no peso certo

    Olhar de longe engana, principalmente com pelagem longa ou cavalo bem musculoso. O toque nos pontos certos mostra a verdade. Neste guia você aprende a avaliar o escore de condição corporal (ECC) do seu cavalo e o que fazer com o resultado.

    Resumo rápido

    • O ECC usa uma escala de 1 a 9 e avalia a gordura em seis regiões do corpo.
    • Para a maioria dos cavalos, o ideal fica entre 4 e 6, variando conforme a modalidade e o trabalho.
    • Cavalo gordo demais preocupa tanto quanto magro demais: sobrecarrega articulações e aumenta o risco de laminite e de síndrome metabólica.
    • Fita de pesagem e apalpação, pelo menos uma vez por mês, dão um acompanhamento mais preciso.

    A escala de Henneke (1 a 9)

    EscoreSituação
    1 a 3Magro
    4 a 6Faixa ideal (em torno de 5)
    7 a 9Acima do peso

    Muita gente confia só na balança ou só na impressão visual. Nenhum dos dois basta: o olho se acostuma com o animal que vê todo dia, e pelagem longa ou barriga distendida pelo volumoso podem esconder a perda de músculo e o emagrecimento real. O escore verdadeiro exige apalpar pontos-chave do corpo.

    Os 6 pontos de apalpação

    A avaliação de Henneke direciona o toque para seis áreas onde o cavalo deposita gordura:

    1. Pescoço (crista): avalie a borda superior. Acúmulo excessivo e rígido de gordura (“crista caída”) indica risco maior de resistência à insulina.
    2. Cernelha: em animais muito magros, o osso fica saliente. No animal ideal, o contorno é suave e arredondado.
    3. Lombo: ao passar a mão pela coluna, você não deve sentir os ossos muito salientes, nem uma calha funda formada por gordura nas laterais.
    4. Base da cauda: sinta o tecido ao redor da inserção da cauda. Gordura macia e saliente indica excesso de peso.
    5. Garupa e quadril: a ponta do quadril deve ser percebida ao toque, mas não pontiaguda nem escondida sob uma camada grossa de gordura.
    6. Costelas: no peso ideal (escore 5), as costelas não são visíveis, mas são facilmente sentidas com leve pressão da palma da mão.

    O que fazer conforme o resultado

    Cavalo magro (escore 1 a 3)

    Antes de só aumentar a ração, investigue a causa do emagrecimento:

    • Dentes: pontas afiadas causam dor e atrapalham a mastigação do volumoso.
    • Vermes: verminose alta consome os nutrientes antes de o animal absorvê-los.
    • Qualidade do volumoso: pasto fraco ou feno sem valor nutritivo não mantém o peso.
    • Disputa no cocho: cavalos dominados no lote muitas vezes não conseguem comer no cocho comum.

    Cavalo acima do peso (escore 7 a 9)

    O excesso de peso é um fator importante para várias doenças graves nos equinos:

    • Sobrecarrega cascos, articulações e o sistema cardiorrespiratório durante o exercício.
    • Aumenta muito a predisposição à laminite e à síndrome metabólica equina (SME). Veja também: Laminite em cavalos: como evitar pelo manejo da pastagem.
    • A correção deve ser gradual: reduza o concentrado, aumente o exercício de forma orientada e use pastejo controlado. Nunca faça jejuns drásticos no cavalo.

    Atenção veterinária: perda de peso brusca, sem mudança no apetite, ou prostração repentina exigem avaliação clínica imediata. Podem indicar úlceras gástricas, parasitoses graves ou doenças renais e hepáticas.

    Crie uma rotina de acompanhamento

    Escolha um dia fixo do mês (por exemplo, todo dia 1º), meça o perímetro do tórax com a fita de pesagem, faça a apalpação dos 6 pontos e anote em uma caderneta. Uma foto lateral do cavalo, sempre com a mesma luz, ajuda a montar um histórico visual ao longo dos meses.

    Fita de pesagem equina

    Além da apalpação, a fita de pesagem ajuda a acompanhar o ganho ou a perda de massa mês a mês. Ela estima o peso aproximado a partir do perímetro do tórax, de forma rápida e simples. Ver a fita de pesagem na Amazon

    Divulgação: o link acima é de afiliado. Se você comprar por ele, o Trato Certo pode receber uma comissão, sem custo adicional para você.

    Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário ou zootecnista. Dietas e suplementação devem ser calculadas por profissionais habilitados.